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FRANCISCO DE MORAIS ALVES (CHICO ALVES)

 

 

O ADEUS AO REI DA VOZ.

 

 

"Tu, só tu madeira fria, sentirás toda a agonia do silêncio do cantor".  (David Nasser).

 

Dos pontos extremos do Brasil, da nascente do rio Ailã, no Monte Caburaí, no Estado do Acre a uma das curvas do Arroio Chuí, no Estado do Rio Grande do Sul e da Ponta do Seixas, em João Pessoa, no Estado da Paraíba à Serra de Contamana, no Estado do Acre, o Brasil chorava a perda de seu maior cantor seresteiro, Francisco de Morais Alves.

Filho dos imigrantes portugueses José Alves, dono de um botequim e de Isabel Morais Alves, nascera à Rua Conselheiro Saraiva nº 3, próximo ao Arsenal da Marinha e compunha uma família de cinco irmãos com Ângela, Lina, Carolina e José. Francisco Alves, o “Chico Alves” como era conhecido e assim iremos tratá-lo adiante, ainda moço, logo teria a trajetória de sua vida fadada ao sucesso. Com as mortes de seu irmão e de seu pai, respectivamente em 1918 e 1919 atingidos pela gripe espanhola que assolava o país, bem como o casamento de suas irmãs, fizeram-no morar com sua mãe.

Com uma infância toda ela voltada ao trabalho, ainda menino exerceria a profissão de engraxate, com o propósito de ajudar sua família que passava por dificuldades financeiras. Estudante irrequieto e inimigo dos livros completou o primário, com lembranças distintas de suas professoras, a sempre atenciosa e querida Odete, e Marta, esta, a quem detestava porque dizia que Chico era nome de macaco. Tempos depois, mudara-se com sua família para próximo de um Batalhão de Polícia, e ali costumava acompanhar os ensaios da banda de música daquela Corporação.

 

EM MOMENTO FELIZ COM SUA IRMÃ ÂNGELA.

 

Sua irmã Lina, atriz de revista e radioatriz que adotara o nome artístico de Nair Alves, lhe presentearia com um violão e algumas lições. Decididamente, a música entrara em sua vida! Chico Alves fora um trabalhador brioso e incansável como engraxate, como cantor nas ruas do Rio de Janeiro das músicas de seu maior ídolo Vicente Celestino, como operário em duas fábricas de chapéus, e, por fim, como chofer de táxi.

Aos 18 anos decidira ser cantor, fazendo seu primeiro teste com o maestro Antonio Lago, pai do ator e compositor Mário Lago e após aprovado, procurou pelo barítono Sante Athos tomando aulas de canto por três meses. Em 24 de maio de 1920 enamora-se de Perpétua Guerra Tutoya, a “Ceci”, a quem conhecera num cabaré do bairro da Lapa. Segundo confessara, seu casamento acontecera num “momento de loucura”, durando apenas uma semana. Depois, encontraria o grande amor de sua vida, Célia Zenatti, dançarina e atriz de revista, vivendo durante 28 anos de uma união feliz, até encontrar a jovem professora Iraci, com a qual ficou até o último dia de sua vida.

Nacionalista extremo, grava em 1944, a Canção do Expedicionário, em homenagem aos Pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que lutavam na Segunda Grande Guerra Mundial.

 

 

Seus grandes sucessos ainda ecoam em nossos corações, como “Fita Amarela”, “Serra da Boa Esperança”, “Canção da criança”, "Malandrinha", “A mulher que ficou na taça”, “Adeus, cinco letras que choram”, “Boa noite amor”, “Se você jurar”, “Aquarela do Brasil”, “Eu sonhei que tu estavas tão linda”, “Caminhemos” "Confete" e “Nervos de aço”, dentre outras.

 

 

 

                                                                                                                                              

 

 

 

         

Em toda sua vida Chico Alves ajudara entidades assistenciais do Rio de Janeiro, tendo em 03 de setembro de 1952, gravada “Canção da Criança” uma canção inédita que contava com o coral das Meninas da Casa de Lázaro, com toda a renda revertida para aquela entidade assistencial.

 

O AMOR PELAS CRIANÇAS DO BRASIL.

 

No dia 27 de setembro, um sábado ensolarado, Chico Alves apresentara-se às 14.00 horas em um Show no Largo da Concórdia, no Bairro do Brás, em São Paulo. Dessa maneira dirigia suas palavras aos milhares de fãs que ali se encontravam: "Meus amigos, é com imenso prazer que estou aqui no Largo da Concórdia, cantando para todos vocês alguns números do meu repertório, com o primeiro número, o samba Caminhemos...". Estava feliz e interpretaria cinco lindas canções, pela ordem, "Caminhemos", "Canção da Criança", "Quando eu era pequenino", "Confete" e "A voz do violão". Na oportunidade em que anunciou Canção da Criança, o fez de maneira eloquente e entusiasta, pedindo à numerosa platéia presente no Largo da Concórdia que colaborassem com as crianças, da mesma maneira que estava fazendo em prol daqueles que necessitam bastante, que eram as crianças pobres do nosso Brasil. E mais uma vez enfatizava: "Ajudem as crianças...".

Entretanto, quis o destino que sua voz se calasse para sempre naquele mesmo dia por volta de 17.40 horas, na Rodovia Presidente Dutra, em Pindamonhangaba, próximo à divisa de Taubaté.

 

 LOCAL DO ACIDENTE MARCADO POR UMA CRUZ, UM VIOLÃO E A SAUDADE.

 

O acidente, segundo consta em depoimentos das testemunhas ouvidas, Gil Inácio de Andrade e Avelino Teixeira, bem como do motorista do caminhão João Walter Sebastiani, fora causado pelo veículo Mércury, dirigido pelo dentista Felipe Jorge Abunahman, que, saindo de uma Estrada Municipal conhecida como "Estrada do Marson", sem a devida atenção e cuidados indispensáveis, adentrou a Rodovia Presidente Dutra, fazendo com que o caminhão Austin, de placas 11.58.84 do Rio Grande do Sul, dirigido por João Valter Sebastiani que seguia com destino a São Paulo desviasse de sua direção para a esquerda e atingisse em cheio o Buick de placas 11-65-80 do Distrito Federal, dirigido por Chico Alves, que seguia para o Rio de Janeiro, e que também ao perceber que o veículo Mércury adentrara na contra mão de direção, desviara para a direita, vindo a colidir em sua lateral esquerda, e morrendo carbonizado.

                                                                                                                                                                                                                                    

      LEMBRANÇAS DE UM SÁBADO DE TRISTEZAS...